sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Resenha: A Insustentável Leveza do Ser - Milan Kundera

Resenhista: Manuela
Tema: Romance Histórico



Um terno, um quarto

Fabuloso. É como posso resumir, considerando até como uma das melhores leituras até então. A história é contada sob a perspectiva de quatro personagens, sendo dois dominantes: Tereza e Tomas. Sabina e Franz aparecem, ora apenas ela, sobrepujando o contexto do primeiro casal – muito inserida no contexto, por sinal – ora conjuntamente os dois, como um par, um encontro de corpos, o conflito de peso e leveza da vivência humana. É muito fácil se colocar nos personagens e observar, conforme o desenrolar da estória, como estamos sempre, tendenciosamente, tentando encontrar um balanço entre a opressão e como diminuí-la.

A estória atravessa algumas décadas e tem como pano de fundo a invasão russa à Tchecoslováquia e o clima de tensão política que pairava em Praga nesse período. Por sinal, questões políticas essas que influenciaram diretamente na vida desses quatro personagens, cujas vivências se entrelaçam.

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“Não existe meio de verificar qual é a boa decisão, pois não há termo de comparação. Tudo é vivido pela primeira vez, sem preparação. É como se um ator entrasse em cena sem nunca ter ensaiado. Mas, o que pode valer a vida, se o ensaio da vida já é a própria vida?”

Resenha: Orgulho e preconceito - Jane Austen

Resenhista: Danielle
Tema: Romance Histórico



Sempre ouvi todo mundo falar muito bem de Jane Austen e deste livro e resolvi ler, comecei com uma expectativa muito alta e não foi bem o que eu esperava, mas gostei foi bom.

A trama gira em torno de Elizabeth e Darcy, um amor que surgiu sem ser esperado e que venceu o orgulho e o preconceito sendo Darcy é rico e Lizza é pobre.

Darcy no início não cativa o leitor mas ao decorrer da trama não há como não se encantar com ele, foi meu personagem favorito.

A trama é bem focada no realismo da época, os diálogos muitas vezes sarcásticos são a melhor parte. A família de Lizza também é muito divertida, principalmente sua mãe que só pensa em casar suas cinco filhas.

Porém não esperem beijos na trama pois Jane não foca nessa parte, o que me decepcionou um pouco.

Enfim a leitura foi boa na minha opinião e recomendo para quem gosta de clássicos e romances históricos.

Resenha: O Ouro de Mefisto - Eric Frattini

Resenhista: Junior Ribeiro
Tema: Romance Histórico



Com a 2ª Guerra Mundial chegando ao fim e a inevitável queda da Alemnha nazista, os líderes mais próximos de Hitler decidem articular um plano para livrar seu principais comparsas de caírem nas mãos das nações aliadas.

Temendo a morte sumária ao serem capturados, ou até mesmo após o julgamento de seus crimes de guerra; bem como considerando inaceitável a prisão como destino final da empreitada nazista, esses homens começam a colocar em andamento a operação Odessa. Tal operação se faz valer de uma rede intrincada de corrupção envolvendo o governo suiço e até o Vaticano, visando tirar da Alemanha centenas de integrantes da SS e da GESTAPO, realocando-os em outros países mais seguros, com outros nomes e uma nova vida.

Para conduzir esta operação os nazistas elegem um influente francês e seus filho de sobrenome Lienart; que num misto de suspense, terror, e romance; revelam as atrocidades e a corrupção instalada pelo regime de Hitler. Tudo pago com o ouro retirado dos judeus.

Posso dizer, sem sombra de dúvidas, que a leitura é eletrizante e dinâmica. Isso pela aventura e o suspense ancorados em fatos da história comprovada e também pelas lendas sobre Hitler.

Apesar do livro ser escrito através da perspectiva do agressor nos cria, sempre, o desejo de saber o desfecho que terá a vida das personagens. Revelando os valores distorcidos que são comumente aceitos em tempos de guerra, assim como os objetivos egoístas, de ambos os lados, que impedem a evolução das civilizações e só alimentam a ganância e a soberba.

Resenha: As Memórias Perdidas de Jane Austen - Syrie James

Resenhista: Adriana
Tema: Romance Histórico



Título: AS MEMÓRIAS PERDIDAS DE JANE AUSTEN
Autor: Syrie James
Edição: 1ª edição
Editora: Editora Record
Ano: 2013
Páginas: 314
Classificação: 5/5

" Por que eu sinto uma vontade súbita de relatar, em pena e tinta, um relacionamento de natureza tão pessoal que jamais assumi, não sei dizer."

Um dos maiores nomes da literatura inglesa, Jane Austen escreveu clássicos como Orgulho e Preconceito. Embora seus livros tenham interessantes histórias de amor, a vida amorosa da autora nunca foi considerada notável. Esse foi o ponto de partida para Syrie James, estudiosa de Austen criar uma versão romanceada da aclamada escritora. E se memórias escritas pela própria Austen fossem descobertas, revelando um grande caso de amor? Escrito em um estilo próximo ao da escritora britânica, As memórias perdidas de Jane Austen é um livro notável, irresistível para qualquer um que ame Jane Austen - ou grandes romances
Sinopse retirada do Skoob


Essa leitura foi extremamente rápida, mas demorei quase o mês inteiro pensando o que colocaria na minha resenha. Primeiro porque foi uma leitura tão gostosa, tão leve e ao mesmo tempo tão carregada de sentimentalismo que fiquei com aquela ressaca literária de saudade...

Meu esposo teve de me ouvir por dias dizer: Ai meu Deus! Será que isso realmente aconteceu??? E ele sempre misturando as bolas achava que eu me referia à Virginia Wolf... Não tive ainda o prazer de ler nenhuma obra dela, mas pelo sentimentalismo, tristeza e romantismo que beira o depressivo, posso dizer que são equivalentes. Também devo confessar que ainda não li nenhum dos romances da Jane Austen (autora retratada nesse livro), se assim o tivesse feito seria mais fácil a compreensão do que ela falava.
Então deixando de mimimi, o que achei do livro:

O livro são manuscritos da autora Jane Austen que foram encontrados em bom estado de conservação e estão minuciosamente sendo estudados e publicados.

Esse fala sobre AMOR. Sim, amor assim de letras exageradas e doloridas, sentidas em alto grau de urgência! Jane Austen morreu cedo, mas durante sua existência presenteou o mundo com seis livros que tratam de amor em sua essência. Nesses manuscritos ela descreve como poderia ela falar de amor sem nunca ter sentido o mesmo... 

Como ter a certeza de descrever as sensações causadas por um olhar lascivo se nunca foi beijada, amou, se casou, permitiu nenhum contato amoroso??? Talvez esse livro traga a você um mundo de descobertas a respeito dela que você nem sequer possa ser capaz de imaginar. Ou talvez imagine. 

Ela mostra em um diário a troca de cartas que teve com sua irmã e confidente e nos dá detalhes de um amor verdadeiro e puro. Mas o melhor é ver a descrição da dependência que ela por ser mulher, têm da necessidade de contratar casamento e assim ser "sustentada" como era padrão de moralidade da época. É delicioso imaginar os lugares por onde ela passa momentos tão significativos em sua vida, seus pensamentos e busca pela aceitação e publicação de seus livros!

Ela queria ser lida, eternizada, mas isso também a assustava. E nessas páginas adentramos nos momentos onde ela se desnuda por completo à tinta e papel, trazendo à nós os seus livros e seu talento para a escrita.


MINHA NOTA: 5 (numa escala de 5)
PERSONAGENS: 5 (de acordo com o que esperamos)
CAPA: 5 (parece um velho diário amarelado)
DIAGRAMAÇÃO: 5 (folhas amareladas, bom tamanho)
ESTÓRIA: 5 (romance delicioso)

E vamos aguardar Março com outra leitura!!!

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Resenha: Papisa Joana - Donna Woolfolk Cross

Resenhista: Fernanda
Tema: Romance Histórico


Fascinante

Joana era filha de um padre da região da Inglaterra e de uma herege, uma pagã saxônica, nasceu e viveu em uma época bastante difícil para as mulheres, onde eram consideradas inferiores, sem inteligência e sem alma. Devido a isso sempre tinham que estar sob a tutela e sob o mando de um homem.

Desde sua infância, Joana, já mostrava inteligência diferenciada e grande ânsia de aprender. Com uma determinação fora do comum ela consegue aprender a ler e escrever em Latim.

Joana decide fugir de casa quando surge a oportunidade de ir para uma escola em outra cidade, deixando para trás os problemas com o pai autoritário e violento. Joana se destaca em seus estudos, mas sofre com as limitações por ser mulher.

Com a morte de seu irmão, Joana, se disfarça de homem, se tornando assim irmão João Ângelo, padre médico de muito conhecimento em Roma.

Com sua popularidade, bondade e conhecimentos, Joana se torna Papa João VIII e governa Roma por dois anos. Papado que foi anulado do livro dos Papas e destruído qualquer indício de sua existência pela Igreja.

O livro é resultado de várias pesquisas feitas pela autora, além de fascinante e surpreende em muitos pontos. A autora relata fielmente a ordem cronológica, não só da vida de Joana, como as artimanhas e depravações religiosas da época. 

Gostei muito desse livro. Papisa Joana é uma das personagens mais fascinantes que conheci, um romance histórico maravilhoso.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Resenha: Corações Sujos - Fernando Morais

Resenhista: Michelle
Tema: Romance Histórico


O fim da segunda guerra, em 1945, dividiu a imensa colônia japonesa do estado de São Paulo em dois grupos: os kachigumi ou vitoristas, grande maioria dos imigrantes japoneses que eram extremamente fiéis ao Imperador Hiroíto e se recusavam a acreditar que seu país natal havia perdido a guerra; e osmakegumi ou derrotistas, minoria dos colonos que acreditavam na rendição do Japão. Assim nasceu a Shindo Renmei, ou “Liga do Caminho dos Súditos”, uma associação que pretendia manter vivo o yamatodamashii, o modo de vida japonês, eliminando, para tanto, todos aqueles que optassem por acreditar na verdade.

“Você tem o coração sujo, então deve manter a garganta lavada...”
Traduzindo: “Você é um traidor do grande império japonês e vai morrer”. Era com esse recado direto que a Shindo Renmei informava aos derrotistas sobre seu destino.

O livro de Fernando Morais é resultado de uma vasta pesquisa que revelou uma parte da história brasileira que parece ficção. Até a publicação de “Corações Sujos” e sua posterior adaptação para o cinema, pouquíssimas pessoas conheciam a saga dos “7 heróis de Tupã”, homens comuns que se uniram para demonstrar sua fidelidade ao imperador japonês e o orgulho de suas origens. 

O fato é que o governo brasileiro teve um papel decisivo na criação da Shindo Renmei e de outras associações do gênero, que surgiram depois das duras restrições impostas aos japoneses: proibição do uso de sua língua materna, fechamento das escolas das colônias, apreensão de rádios, suspensão de veículos impressos em língua japonesa e tomada de dinheiro e terras, entre outras coisas.

A repressão do governo só piorou o sentimento dos imigrantes de estarem perdidos em uma terra estranha sem nenhum contato com a terra natal e aumentou o preconceito que a população brasileira tinha contra eles (alimentado publicamente pela imprensa). Linchamentos de colonos aconteciam em praça pública e assassinatos dos corações sujos eram recorrentes, mas a polícia estava ocupada demais para investigar, pois sua prioridade era acalmar as revoltas populares que clamavam pelo fim da ditadura, controlar as greves que pipocavam por todo lado e monitorar os jornais que se libertavam da censura.

O saldo dos 13 meses de atuação da Shindo Renmei é alarmante: 23 mortos e 147 feridos. Durante o período em que a polícia tentava descobrir quem estava por trás do grupo de extermínio, 31.000 japoneses foram presos, 381 denunciados e 80 condenados à expulsão do país (que foram perdoados por Juscelino Kubitschek).

Fiquei chocada com a descoberta dessa parte da nossa história que não consta em nenhum livro didático. Principalmente porque os japoneses têm uma imensa influência na cultura paulista e sempre me pareceram os imigrantes mais queridos por aqui (talvez atrás dos italianos apenas). Eu não fazia ideia do quanto a colônia havia sofrido na época da guerra e nem em sonho poderia imaginar essa luta interna. Interessante e muito triste.

Os acontecimentos narrados no livro são baseados em documentos, arquivos da imprensa, depoimentos e entrevistas com os poucos envolvidos que ainda estavam vivos no ano 2000. O livro conta ainda com fotos de época. A linguagem é bem jornalística e se atém aos fatos. A única dificuldade que tive foi com a grande quantidade de nomes envolvidos. De resto, é uma leitura simples, mas cheia de detalhes, o que compromete um pouco a velocidade.

“Como espectros que tivessem surgido do nada, às nove horas da noite sete japoneses descalços, com idades variando entre vinte e 41 anos, sérios e com ar decidido, postaram-se diante da delegacia de polícia. Uns traziam nas mãos porretes de madeira semelhantes a tacos de beisebol. Outros estavam armados das mortais catanas, sabres embainhados em bambu trabalhado, em cujo interior ocultava-se uma afiada lâmina de aço curva, de oitenta centímetros de comprimento. Eles usavam calções ou tinham a barra das calças arregaçadas até a metade da perna, como se tivessem acabado de chegar da lavoura (...). Como o prédio da polícia ficava em plena avenida Tamoios, no centro da cidade, para chegar até lá tiveram que atravessar uma Tupã às escuras – uma aparição que assombrou os moradores das imediações, que fecharam portas e janelas à aproximação do grupo silencioso. Alguma coisa ruim estava para acontecer.”

Essencial para conhecer um pouco mais sobre nossa história e, de quebra, acompanhar uma aventura que parece ter saído da mente de algum cineasta.