quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Resenha: A Sexta Mulher - Suzannah Dunn

Resenhista: Lynnë
Tema: Romance Histórico



Esperava algo totalmente diferente pela sinopse e título. A primeira vez que me deparei com este livro foi quando procurava algo sobre a corte dos Tudor, em especial sobre as mulheres da vida de Henrique. Havia lido sobre Catarina de Aragão, Ana Bolena, Jane Seymour, Ane de Clèves e Catherine Howard, mas nada sobre Catherine Parr, aquela que sobreviveu aos anos finais da vida de um dos reis mais insanos e implacáveis que a Europa teve o desprazer de conhecer.

Não que seja ruim. Mas eu esperava uma narrativa em primeira pessoa, ou em parte ao menos dessa personagem. O que acontece no lugar é o ponto de vista da amiga Catherine 'Cathy' Suffolk. A duquesa que era sua amiga de infância segundo alguns e segundo o livro, que foi contra, desde o início às decisões que levaram Parr a morrer em decorrência do parto. 

Não gostei de a autora retratar essa mulher tão cheia de atitude, que apesar do medo que qualquer uma teria ao ser indiciada a ser Rainha da Inglaterra ao lado de Henrique VIII, deu a cara a tapa e foi em frente, se tornando uma das rainhas mais queridas pelo povo e ganhando o respeito da corte, dos enteados e principalmente do próprio rei. Até Mary, que apesar de abertamente condenar esse casamento como todos os outros além do primeiro, a suportava. Dentre todas as rainhas essa foi a menos insultada pela futura Bloody Mary.

Achei muito interessante ela ter colocado a duquesa e Thomas Seymour como amantes. É uma boa explicação para a tensão que se diz ter havido entre as duas mulheres, que a amizade era na verdade um coleguismo. Faz sentido já que tinham ficado tanto tempo longe uma da outra e retornaram a amizade com o escandaloso casamento de Parr e Seymour. Para mim seria como: 'Mantenha os amigos por perto e os inimigos mais perto ainda.' Acredito que Cate Parr estava realmente apaixonada por Thomas desde sempre, e que eles planejavam se casar quando ela recebeu a notícia que seria rainha. Ninguém em sã consciência negaria algo à Henrique VIII. 

Portanto, por mais escandaloso que possa parecer talvez tenha sido mesmo um chute no balde, a sensata e experiente mulher, esperou apenas um mês para se casar com Thomas. Ainda mais se ele realmente andava dando aqueles foras de cortejar Elizabeth. Casou por amor, cometendo assim o maior erro de sua vida. Dunn retrata os últimos momentos de vida de Parr de forma bem interessante. Achei crível ela ter tido tanta lucidez (mesmo que encarada como delirante), alguém com tanta força e inteligência como ela iria querer expurgar tudo que guardava dentro de si como uma perfeita dama inglesa. 

Em resumo, é um bom livro em termos gerais. Retrata mais a situação familiar e pessoal que toda a tensão política que estava em voga. A própria Elizabeth foi retratada como uma adolescente frívola, o que me incomodou. Já a pequena Gray me deixou encucada, gostaria de saber mais sobre essa garota que foi rainha por 9 dias e que aos 10 anos já era mais eloquente que muitos dos adultos de sua época. Seu infortúnio foi estar no caminho de Bloody Mary.

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