terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Resenha: A Companhia Negra - Glen Cook

Resenhista: Bruna
Tema: Fantasia


"A Companhia Negra é um grupo de mercenários com uma história que remonta a séculos. Numa tentativa de reviver o passado de glórias, ela se une ao exército da Dama, uma feiticeira de poder inigualável que acordou de um sono de eras para reconquistar tudo que perdeu. A Companhia se vê envolvida, então, em muito mais do que campanhas militares: ela precisa sobreviver aos conflitos extremamente traiçoeiros entre os servos da Dama. Num mundo onde a magia está presente em cada esquina, toda rua esconde segredos maravilhosos... e perigos mortais. Clássico da literatura fantástica americana, A Companhia Negra foi publicado originalmente na década de 1980."

O gênero fantasia se divide em diversos subgêneros, e a dark fantasy é um dos menos conhecidos e explorados no Brasil. Porém, nos EUA já surgiram diversos autores aclamados que constroem uma fantasia mais cruel que a realidade, entre eles, temos Glen Cook.

No primeiro livro da série “As Crônicas da Companhia Negra”, Glen Cook nos apresenta um mundo repleto de magia, onde poderes ocultos espreitam nas sombras e a morte pode estar esperando na próxima curva.
A história pode parecer um tanto confusa no início, principalmente até nos acostumarmos com o ambiente, os nomes e personagens, mas quando se tem em mente esses detalhes, o leitor é levado a mergulha num universo negro, político e, quem diria, atual.
Nosso narrador, Chagas, descreve aquilo que vê, e é através de seus olhos que descobrimos como um mundo fantástico pode ser cruel com seus personagens. Este é um mundo baseado em tons de cinza, apesar de no começo ser sugerido que há uma clara delimitação entre o bem e o mal, no decorrer da trama percebemos que a linha que separa heróis e vilões é tênue. Este limite não é condicionado pelo lado a que servem, mas acaba por basear-se mais nas atitudes que são tomadas no campo de batalha.
Esse aspecto da trama leva o leitor a ser surpreendido com as reviravoltas e descobertas de nosso narrador, principalmente quando o jogo de intenções começa a ser desvelado diante de seus olhos, e percebemos que a sobrevivência da Companhia Negra se torna a ordem do dia.
Narrativamente, a trama é apresentada em forma de compêndio militar, sucinto em seus fatos, mas talhado com as reflexões de Chagas e sua caracterização mais humana de seus companheiros. Não há aqui fantasia suficiente para nos fazer esquecer que toda guerra traz seu horror, e este horror transforma as pessoas envolvidas. A síntese disso é representada pelos membros mais antigos da Companhia, que possuem vícios, desejos, medos e intenções obscuras, mas que não se deixam de apoiar nos momentos mais difíceis.
Algumas das principais críticas relacionadas ao livro como um todo são os personagens que parecem rasos ou sem desenvolvimento. Porém, não é que o autor não saiba ou não queira desenvolver seus personagens, mas sim que a ideia usada pelo autor é justamente nos fazer refletir o quão bem conhecemos as pessoas em nosso redor? Temos um grupo de mercenários, que apesar de conviver a algum tempo juntos, ainda mantém segredos de seus companheiros. É algo intencional que proporciona a trama um maior senso de realidade.
Porém, há neste estilo saltos temporais que deixam a leitura confusa em alguns pontos e podem desanimar os menos envolvidos pela história. Nestes saltos temporais que a trama aborda é preciso uma atenção redobrada aos detalhes apresentados pelo narrador, o que torna a leitura maçante quando comparada com trechos altamente claros e objetivos da história, prejudicando o ritmo geral.
Mesmo com esse defeito, o livro em si é intenso e complexo. Por isso, ao iniciar a leitura, o leitor deve ter em mente que não é uma fantasia fácil de ser compreendida, pelo contrário, é preciso ler e refletir, adentrar de certa forma neste universo que se possa sentir os desafios diários de um grupo de mercenários que lida com a morte e destruição diariamente, e ainda assim, não perdem o bom humor. Ok, eles perdem, mas fazer o quê? São simplesmente humanos num mundo cruel, afinal de contas.

Um comentário:

  1. Nunca tinha dado muito por esse livro. Mas agora fiquei curiosa para ler.

    ResponderExcluir